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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

13º Paradoxo!

...A certeza de ser a última, de que todos iriam antes de mim, era a única que restava, e por mais que me esforçasse em me livrar deste pensamento não conseguia. Era claro, era a verdade. O inesperado de tudo foi o desenlace, se é que posso dizer que terminou.

As nossas defesas por fim caíram. Não bastava somente vencer ou dominar, submeter era o conceito de vitória. Assim meu martírio teve um novo início, a submissão e a negação passaram a fazer parte daquilo a que chamava de sobreviver. Acreditando que minha força pudesse dobrar meu algoz, isso se tornou nosso eterno duelo.

Não sei em que momento teve início, na minha mente ou na dele, mas era vital ver o outro sobrepujado e ambos usamos todos os meios para alcançar este fim. Meus amigos caíram um a um diante de meus olhos, como punição por meu orgulho, ou talvez em nossa doença, isso pudesse ser considerado uma recompensa.

Minha certeza se fez realidade e quando percebi, éramos semelhantes, tão parecidos em essência que a sensação era de estar diante de um espelho. Enxerguei minhas qualidades e defeitos, refletidas no homem a minha frente. Sim, agora ele não era mais somente meu carrasco, frio e distante, era a única ligação com a realidade que eu possuía e através dele me mantinha viva.

O duelo prosseguia sem existir um patente vencedor, ou pior, nos dois vencemos, sem nunca termos tomado consciência disto.

Do tempo não fazia mais conta, somente esperava o momento de sua chegada, ou que um destino mais cruel me levasse dali. Na 13º Lua, por descuido, me vi livre. Fugi levando comigo cicatrizes que nunca desaparecerão por completo.
Nas noites negras, as luzes da cidade me fazem lembrar e tentar esquecer...

Memórias de Todas as Vidas
Dez/07’ 2004
...............................................................Livia Ulian

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