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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Violão de Criança!


Comecei a tocar piano muito pequena, não sabia ler e as notas tinham cores! Com o passar do tempo as cores sumiram da partitura dando lugar a notação musical clássica. Estava crescendo, as aulas na casa da Tia Alice foram substituídas pelo conservatório e a D. Rita. Mas meu piano ainda era de criança, assim como o violão do meu irmão, pois pra mim todo instrumento que não estivesse ligado na tomada era de criança.

A perda das cores da minha partitura pode não ter sido a melhor escolha, mas aconteceu. De qualquer modo nunca abandonei o pentagrama e suas cores ficaram impregnadas na aura. Dizem que o Dó maior é Azul Celeste e que minha cor é o Vermelho!

Descobri que as pessoas em algum momento da vida só usam a esferográfica preta, nem as folhas são coloridas. Não me pergunte os motivos, não faço a menor idéia, mas isso é comum. É como não falar mais com o amigo imaginário, não ouvir mais seu anjo, não ver duendes, deixar de brincar ou ainda pior, parar de cantar!

Faz algum tempo resolvi pintar as notas novamente e trazer pra superfície tudo que estava guardado entre os corais. Nunca deixei de brincar com meus amigos e meu papel sempre trás as cores do arco-íris.

Não fiz balanços, simplesmente tomei decisões e coloquei em prática. Confesso que não sei tocar violão de criança, então providenciei um piano que liga na tomada!

.........................................................Livia Ulian

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Tela Azul...















Ao entrar em pânico, os simples questionamentos do dia-a-dia retornam como lava, revoltosos feito dúvidas ferventes que obstruem a mente matematicamente treinada. Nublam toda a coragem com pontos existenciais de total importância, porém nada práticos.

“Christian você é criador ou somente a criatura... Que cor é a rosa da tua cruz? Seria tão fácil provar tua existência como montar todo aquele aparato no Pantheon de Paris?"

Em que Maniqueísmo se apóia a relatividade de Einstein?

Assombrosamente me disponho a saber, voltando meus esforços em direção ao Pleroma.
Queria eu, que a força de Coriolis indicasse a inesperada trajetória!

Seguir os Paulacianos ainda seria considerado heresia?

E aonde se escondeu a dialética Marxista?

O que fazer com toda simonia atual?

Zeus me Salve... pois não me atrevo a pedir ajuda a Ares!

Extrato de Neurose!
...............................................Livia Ulian

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

MunhozStock III...

É o terceiro ano seguido que sou chamada pra ir e não arrumo tempo. Quer saber, dessa vez eu vou!

É fácil chegar a Munhoz? Bico, é só seguir as instruções... O pessoal do ônibus chegou sem problemas, claro que o motorista conhecia o caminho, diferente de nós...

Fora o trânsito chatíssimo, saímos de Sampa com bom tempo para uma véspera de feriado, parecia que Hermes tinha se aposentado das piadas, ou saiu pra beber com Dionísio dando uma trégua. A Fernão Dias estava calma e nós sem pressa. Durante a semana, havíamos acordado seguir o ônibus da Gang, mas eu mesma duvidava que agüentássemos até dez da noite. Dito e feito deu ataque de ansiedade na dupla sagitariana e resolvemos seguir por conta. Afinal, somos duas bruxas geniais, devidamente cartografadas e com uma série de indicações, o que poderia dar errado? Horas depois, em uma crise de riso, lembrei que alguém já havia me explicado que não dava pra confiar no mapa, inocência minha achar que um Malkaviano teria um mapa certinho, isso é coisa pra Ventrue, mas pior é a Brujah aqui não se lembrar disso. Mas tudo bem é tudo diversão.

Uma parada no caminho e um pé de moleque gigante se juntou a bagagem, nem sei exatamente pra que, aliás, o que foi feito dele? Após passarmos a divisa, chegamos ao retorno, que na verdade devia ser chamado de "conversão para esquerda no meio da estrada", pobre Leão da Montanha... A amiga piloto avisou que só faria a conversão quando não visse mais nenhuma luzinha de farol brilhando. Aguardamos pacientemente que a última estrela se apagasse e convertemos. O próximo passo era localizar uma entradinha a direita que deveria estar bem pertinho, perto, mais devagar... Aqui, por pura sorte não passamos batido, caso isso acontecesse teríamos que fazer o retorno em Constantinopla.

A entradinha era quase um tombo... Abaixamos o som para ler o mapa. Entendo agora que se o som estiver alto a gente não enxerga! Você não acredita? então pense bem e vai ver. Toda a vez que acendia a luz da cabine minha amiga baixava o som e nós duas riamos meia hora.

Entramos em Toledo, a estrada é bem bonita, tão cheia de curvas que não sabia se estavamos indo ou voltando e o CD roqueiro, que ainda não foi ouvido inteiro por excesso de músicas, ia rolando. Em uma encruzilhada em T, viramos pro lado errado, o que você esperava?! Se fosse de dia teria placa, mas como era de noite a placa deve ter migrado com as andorinhas! Outra coisa importante, o lado errado sempre parece mais viável que o certo, ele é mais bonito, mais iluminado e a única semelhança com o outro é a ausência total de pessoas para dar informação.

Acreditando que pudéssemos ter virado a esquerda em Albuquerque, resolvemos perguntar, só restava saber pra quem. Ao longe avistamos um letreiro escrito "restaurante" - parecia coisa do pateta perdido na autoestrada. Não era exatamente um restaurante, mas também, como não iamos comer absolutamente nada... Ao descer do carro fui recebida por dois vira-latas guardiões, daqueles que se você bate o pé ele começa a ganir, correr e latir te olhando furioso e acordando toda a vizinhaça - cumprimentei a dupla que se contentou em ficar me rodeando. Entrei e perguntei pelo caminho para Munhoz para o único ser humano presente e que eu duvidava que pudesse se levantar de onde havia se encaixado. Depois de um grunhido e várias palavras desconexas entendi que os cachorros da porta se comunicavam melhor. Estava pensando em ir mais pra dentro do bar procurar qualquer outro mais sóbreo, quando de repente sai de uma porta lateral, que não era visível por causa da geladeira, uma moça que parecia ser a cozinheira – com um bom humor absoluto ela explicou que seu irmão foi tocar em Munhoz, apesar dela não saber o que estava acontecendo, todo mundo estava indo pra lá naquele dia, e nos ensinou como pegar a estrada certa. Nós oferecemos carona pra Ana Lucia, caso quisesse ver o irmão tocar, mas a parentaiada havia chegado de São Paulo para o findi e teria que se contentar em ficar. Seguimos em frente.

Dizem que é fácil identificar os moradores do Bairro dos Pereira pelo sotaque, mas como se faz isso quando não se encontra com ninguém? Como iríamos saber onde estávamos? Bem, quando passamos pela placa que indicava o bairro, ela deve ter se abaixado, porque não estava lá e para falar a verdade eu estava esperando outra coisa, não me pergunte o que ou como, mas digo que na minha cabeça o tal bairro é diferente. Portanto ali já era Munhoz.

Depois de acharmos uma praça e uma igreja matriz descobrimo-nos perdidas. Já me perguntaram como pudemos nos perder em um jogo da velha, e a resposta é: Perdemo-nos entre dois jogos da velha e não dentro de um deles. Oras! Subimos a rua da matriz, voltamos - e cada vez que passavamos por ela me vinha a sensação de que era tão grande que precisariam de pessoas do bairro dos Pereira somadas a todo um pomar para encher a igreja no domingo. Umas figuras muito estranhas pediram carona, mas carona para onde já que tudo é tão perto, então o que eles estavam fazendo ali? Subimos de novo, descemos e este movimento de vai-vem poderia ter durado até o Fim da Eternidade se não houvesse surgido do meio do nada uma van (existe aqui uma controvérsia quanto à cor da mesma), poderíamos ter sido solenemente ignoradas, mas o ilustre desconhecido parou a nosso pedido, todos demos ré. Abaixo a conversa travada:

_Por favor, como pegamos a estrada para Serraria? E uma voz feminina grita do fundo da van. _Pra onde vocês estão indo? Respondemos em uníssono: _MunhozStock, no sitio do Felipe – não falamos Munhoz ou o Sitio Montanari, fomos completamente disléxicas. Claro que para qualquer pessoa normal isso não bastaria, mas não é que a voz sabia?!... Nós os seguimos até a verdadeira Munhoz, chorando de rir, discutindo a cor da van e tecendo comentários inteligentemente idiotas, com o som bem alto.

Ao chegarmos a Munhoz, paramos na rua antes da igreja, pois estava tendo uma festa e não dava para passar. Daí a dona da voz salvadora nos explicou que é quase prima da familia em questão. É quase como se esse fosse o único Felipe de toda a região, melhor ele nem mora lá! Daí quando digo que eu entendo perfeitamente o que ela quis dizer com o "quase" as pessoas me olham torto. A Juliana nos deu as perfeitas explicações para achar a estrada. Agora só falta achar o sitio!

Ainda bem que viajávamos em um cabrito montês. Que Pirambeira! Seguimos reto, e em todas as bifurcações pegamos a direita, conforme instruções. Isso era pra ser simples, mesmo porque deveria haver placas. A única preocupação era que de tanto pegar a direita poderíamos acabar em Toledo novamente. De todas as direitas encontrei uma única que tinha placa. Fico pensando, se aquilo for uma placa, nem quero pensar em uma bula de remédio. Voltei no dia seguinte para tirar foto da placa em questão.

Achamos o Sitio Montanari, lá no alto da montanha, cheio de pessoas incríveis para um Feriado Inesquecível!

...................................................Livia Ulian

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pôr do Sol

Acordei naquele dia disposta a ir ao cemitério! Quem me conhece sabe que este não é meu programa predileto. Existem pessoas que tem medo, que se sentem mal, que vêem coisas. Bem, nada disso é realidade pra mim, somente não gosto, acho a tal da última morada deprimente, bege e cheia de baratas! Decididamente não vou morar lá. Mas existe aqui um porém, se o cemitério em questão fosse Les Innocents a coisa mudaria de figura – se os mortos de lá não tivessem invadido a vida dos vivos, não teriam sido despejados e eu não precisaria ir as catacumbas resolver esta pendenga. Quem sabe Lestat pudesse explicar!

Tinha duas pessoas a tiracolo que precisavam de qualquer modo ir ao Père-Lachaise! Uma eu havia conhecido em Paris mesmo, perdida no albergue e viajando sozinha, adotei. A outra, a amiga que arrastei comigo pela Europa. A primeira queria encontrar os túmulos dos primórdios de sua família. A segunda, Kardec, o que diga-se de passagem não parece nem de longe com ela. Eu, por minha vez, tinha a idéia fixa de ver a escultura de Rodin no túmulo do Balzac. E vamos nós!

As três tontas andavam por Paris como se esta fosse comum, completamente situadas, donas da situação, seguras até a raiz dos cabelos. Magnifique. Demos uma passadinha antes na Place de la Bastille e chegamos ao cemitério ainda pela manhã, indo diretamente entender como aquela “atração turística” funcionava e o valor que deveríamos desembolsar. É importante dizer que quando cheguei a Paris, minha primeira providencia foi comprar um mapa atualizado da cidade, e momento da aquisição do ingresso para o cemitério, fui questionada se gostaria de um mapa básico deste (custava uma fortuna). Decidimos nos arriscar sem mapa, afinal eu havia passado os últimos dias ensinando as pessoas como chegar ao lugares, e o mapa não adianta nada se o ser pensante não conseguir se comunicar com eficiência, e além do mais o que poderia ser tão difícil em um cemitério? Meia hora depois entendi que o fato do cemitério ter mais de 200 anos, era um fator que eu deveria ter considerado, mas meu “gárgula da guarda” estava de plantão e uma alemã completamente perdida veio a mim, pedindo socorro e abanando um mapa - a pobre senhora não tinha a menor idéia de como chegar ao túmulo de Kardec. Meu alemão se restringe a “Obrigada”, mas consegui explicar a ela onde o túmulo ficava e verificar o caminho para o Balzac.

Após ver os dois “monutúmulos” saímos passeando pelo cemitério procurando a família da nova amiga – a essa altura do campeonato eu estava me sentindo em uma praça. O mau humor das minhas duas companheiras, que haviam sido muito mal tratadas na cidade, estava diminuindo, posso dizer até que era um lindo e ensolarado dia de primavera com uma temperatura super agradável. É Paris e ninguém fica triste aqui, nem no cemitério, andamos horas, criticamos e elogiamos tudo, observamos árvores, nomes e datas, e totalmente por acaso, encontramos um túmulo com o nome da família tão procurada. Alegria e fotos! Feito isto, começamos os procedimentos de retirada – mas confesso, eu errei. Existia um lugar que desde o início eu queria evitar passar, nem mencionei a existência dele pras duas, mas na hora de olhar o mapa, o bloqueio era tão grande, que eu não verifiquei para excluir do nosso roteiro. Eu não queria ver, de modo algum, o túmulo do Jim Morrison e acabei na frente dele.

O túmulo não tem nenhum destaque, a não ser o guarda sempre atento e discreto, talvez para evitar que alguém cave no local. Esse pensamento foi degradante. Se algum dia houve grama ali, já não existe mais. Sentada aos pés do túmulo, eu vi uma garota que não devia ter mais de 18 anos, com os pés na terra batida, fones de ouvido e chorando copiosamente, eu poderia apostar que a musica era The End - ao redor vários outros, prestando suas tristes homenagens. A cena era trágica, eu não precisava ver aquilo e muito menos o Morrison merece. Deixem ele em paz, era só o que eu conseguia pensar! Não entra na minha cabeça Sagitariana esse cerco.

Naquele dia fiquei pensando no esquecimento, no descanse em paz e tudo que se diz nessas horas, em como chegamos a esse momento. Pensei em Balzac e em Kardec e hoje lembrei do texto abaixo. Talvez me entendam.

“No cemitério Père-Lachaise, nas proximidades da vala comum, longe do bairro elegante daquela cidade, nos sepulcros, longe de todos aqueles túmulos de fantasia, que ostentam em presença da eternidade as hediondas modas da morte, num canto deserto, ao pé de um velho muro, debaixo de um grande teixo, revestido de trepadeiras, entre moitas de erva e de musgo, há uma pedra. Esta pedra não está mais isenta que as outras das lepras do tempo, do bolor, de musgo e do excremento dos passarinhos. A água torna-a esverdeada, o ar enegrece-a. Não está próxima de nenhum caminho e ninguém vai para o lado dela, porque a erva ali é alta e num momento se molham os pés. Quando há sol vão ali os lagartos. Em torno há um estremecimento de folhagem. Na Primavera cantam nas árvores as toutinegras. Esta pedra está completamente nua. Não pensaram talhá-la, senão no que era necessário para o túmulo; só tiveram em vista fazê-la bastante comprida e estreita, para que só cobrisse um homem. Não tem nome nenhum. Faz anos, porém, houve quem escrevesse nela a lápis estes quatro versos, que pouco a pouco se tornaram ilegíveis, pela ação da chuva e da poeira, e que decerto estão hoje de todo apagados:
Dorme. Viveu na terra em luta contra a sorte
Mal seu anjo voou, pediu refúgio à morte
O caso aconteceu por essa lei sombria
Que faz que a noite chegue, e apenas fuja o dia!”

Extrato de Os Miseráveis de Victor Hugo
(a tradução adaptada, direto do francês, é minha então não se irritem)
..........................................................Livia Ulian

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Uma Questão de Engenharia

Além de um ponto crítico dentro de um espaço finito, a liberdade diminui à medida que os números crescem. Isso é verdadeiro para os seres humanos no espaço finito de um ecossistema planetário, assim como o é com relação às moléculas de gás num frasco selado. A questão humana não é tanto quanto poderão sobreviver dentro do sistema, mas sim quanto de existência será possível para aqueles que sobreviverem.
— Pardot Kynes, Primeiro Planetólogo de Arrakis

Essa frase me chamou atenção... Fiquei pensando em ser como um ponto no espaço e na quantidade de outros pontos próximos a mim, o quanto eles cerceariam a minha liberdade e eu a deles. Péssimo! Até hoje não havia unido a física ao comportamental. Mas a realidade é que para espaços finitos as quantidades nos limitam e transformam nosso planeta no frasco selado. Nunca minha necessidade de liberdade gritou tão alto, a interdependência é um grande incômodo e isto porque ainda estamos dentro de CNTPs aceitáveis, porque se formos pensar em grandes variações, decididamente eu preferiria morar em Calixto.

A infestação por unidades de carbono na biosfera terrestre extrapola o ponto crítico e causa danos ao planeta. A Liberdade diminui a medida que os números crescem... e eles não param de crescer.

A espécie de planeta que vamos deixar para nossos filhos não é mais a questão e sim que espécie de filhos vamos deixar para este pobre planeta.

É meus queridos tenho certeza que os fortes sobreviverão, só resta saber aonde!

................................................Livia Ulian

domingo, 19 de abril de 2009

Menos uma Vela para Hermes

Deviam ser três horas da manhã e eu não parava de ler. Chego a ficar com raiva de mim quando isso acontece, mas o pior é que a freqüência é grande. Mesmo sabendo que em poucas horas teria que levantar e enfrentar uma belíssima segunda-feira, eu simplesmente não conseguia parar. Já havia tentando por volta das onze horas, fechei o livro, apaguei a luz e mandei meu cérebro dormir.

Meu cérebro é teimoso, ele não cansa, e em sua tentativa de me obrigar a abrir os olhos e voltar à leitura, ele me fez virar na cama por mais de uma hora pensando nas milhares de possibilidades, e nos porquês da situação que se apresentava para o Dr. Creed, isso sim cansa. Rendi-me!

Conformada em iniciar a semana disfarçada de zumbi, o que combinaria com o autor, acendi o abajur e voltei ao livro. A madrugada começou a caminhar, ou melhor, correr. Agora eu olhava para o relógio de cabeceira com culpa e esperança de que a cada página virada ele não houvesse movido seus ponteiros. Chronos se tornou meu maior inimigo e algum outro deus tinha que manter a lua no céu impedindo o sol de surgir. A questão vital era terminar o livro e nada nesse mundo me faria parar.
Os deuses são caprichosos, poucas coisas os divertem e nessa noite eles estavam me testando.

... ele havia acabado de pular o muro do cemitério e quase foi visto por causa dos faróis de um carro que passava, abriu a porta do passageiro e colocou o saco de lixo preto no banco da frente, deu a volta no carro, entrou e quando foi dar a partida, parou assustado...

Assim me lembro, e foi nessa hora infeliz que acabou a luz. Hermes era o deus de plantão e é claro que ele lê Stephen King, pois sabia exatamente o que fazer e qual o melhor momento. Levantei da cama e fui testar a luz do quarto, afinal poderia ter sido somente a lâmpada do meu abajur. Nada! Olhei pela janela, e a rua estava em blackout. Dormir não mais fazia parte de meus planos. Como, eu desisto de uma noite de sono e alguém resolve controlar a minha vida e apaga a luz? Velas faziam parte de meus planos.

Sob a luz da minha última vela, descobri que ele não havia colocado o corpo do filho de cabeça para baixo no carro e terminei o livro antes de Apolo entrar no quarto.

Deste dia em diante uma, ou melhor, duas decisões foram tomadas em minha vida. Primeiro nunca começo a ler King quando o tempo necessário para terminar o livro excede as onze da noite de domingo, segundo, velas são gêneros de primeira necessidade e não podem faltar em minha casa.

Memórias de Todas as Vidas
Abr/18’2009 ................................................Livia Ulian

terça-feira, 10 de março de 2009

Magia é Toda forma de Arte que transforma a Vida!

Tem gente que passa a vida tentando ser perfeito, para poder ter Toth como defensor no “Saguão das Duas Verdades”. Estas pessoas só não sabem que a Pluma de Maat pesa diferente para cada um e que Hórus somos nós mesmos!

O carma da tua família não é teu, assim como seus méritos também não te pertencem. Honrar teu próprio nome é inteligente, mas a escolha é tua.

Você será sempre Mestre e Aprendiz então aprenda jogar Xadrez e Truco, vai precisar. E não se prepare para morrer, é desnecessário!

Só ajude aquele que te pedir. E exija reciprocidade! Afinal a vida é uma troca, tem que haver retorno para ter valor. Lembre sempre que a melhor forma de retorno é a amizade! Se você resolver ajudar aquele que não pediu, então estará jogando energia fora.

Faça hoje o que tem vontade e o que é obrigado porque não encontrou ninguém para fazer no seu lugar. As coisas que considerar chatas, deixe pra amanhã ou nunca (de preferência).

Dê sua opinião, e não se acanhe se disserem que é besteira, afinal é sua. Isso ajuda a selecionar as pessoas ao seu redor.

Conheça teus limites!!! Ultrapasse-os só para ver no que dá... Se quebrar a cara, tente outra vez ou não.

Lembre-se... a única coisa que não faz parte do ciclo do carbono são seus pensamentos! Exista...

Extrato de: Não gosto de Bege!
Jan'2008....................................................Livia Ulian

terça-feira, 3 de março de 2009

A Pêra Bartlett

A cerimônia da minha colação de grau do colegial foi bem simples, somente parentes próximos. As diferentes turmas iriam se reunir após o evento, para comemorar de acordo com seu perfil. Tenho livre trânsito por diversos grupos, poderia até dizer que sou uma pessoa eclética, caso não fosse o meu ecletismo completamente radical. De qualquer modo o ponto convergente destes grupos é o quociente de inteligência e após a formatura estava eu comemorando com um bando de roqueiros. Rock’n roll me deixa feliz!

Voltemos um pouco para este final de etapa da minha vida discente. Cada um que era chamado ao proscênio recebia sua quantidade de vaias, de acordo com seu statu quo, em teoria adolescente quanto mais se é vaiado, isto é, ovacionado pelos colegas, mais popular você é. Posso dizer que foi forte, meus pais ficaram um tanto quanto mal impressionados. Mas uma situação salvou minha honra com minha família e deixou meus colegas em dívida com seus próprios pais. Ao chamarem meu nome o professor de literatura se levantou, quebrando o “protocolo”, e pediu licença a mesa para entregar o meu canudo. Ramon Vasquez, o professor mais temido da escola me fazia esta reverência e junto com meu diploma entregou um marcador de livros com uma frase da Clarice Lispector (Amar aos outros é a única salvação individual que conheço!). Não, eu não acho que ele gostava de mim, posso dizer que meu professor admirava a pessoa que eu sou. E obviamente eu a ele!

Hoje enquanto guiava em direção ao trabalho, passei diante da escola e estas lembranças me vieram à mente. Por diversas vezes em minha vida deparei com situações assim. Nunca fui santa, muito pelo contrário, era um monstrinho com opinião própria, aliás, continuo sendo. Isto não muda o fato da minha mente correlacionar fatos, sentimentos, impressões e hipóteses, misturando as áreas de conhecimento e transformando tudo em bases para a realidade. Com isso acabo criando polêmica, não que eu acorde e pense: Hoje vou polemizar sobre a Revolução Francesa! Simplesmente acontece. Física é filosofia e música é matemática, ou vice-versa. Tudo é tão óbvio dentro da minha cabeça que nunca pensei que isto pudesse não ser o padrão de pensamento vigente. Demorei a entender que a cognição é facultativa.

Sou um ser pensante que é capaz de ir às lágrimas com “Encontro com Rama” ou com Bad do U2, que consegue ler Umberto Eco sem precisar de dicionário e ouve mil vezes a mesma música do Caetano para ter certeza. Acredito piamente que a Helena Petrovna Blavatsky é mais difícil que Cálculo Diferencial e Integral até que alguém que saiba cálculo me explique Helena.

Quem sabe um dia o código da bíblia, tão procurado por Newton, não nos mostre os eventos previstos pela psico-história de Asimov, transformando o Mulo em nosso futuro, assim como Nero foi nosso passado.

Em meio a tudo, peço a Zeus, incansavelmente, que interfira junto a Darwin, para que este perdoe a humanidade pelo criacionismo, e quem sabe um dia a Terra deixe de ser plana para estas pessoas e assuma seu formato de fato.

Memórias de Todas as Vidas
Mar'2009.....................................................Livia Ulian

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Descobertas!


Inadvertidamente olhei em teus olhos e vi tua alma. Descuido teu, infelicidade minha, pois este vazio exaure também a mim.

Descobri-me manipulada, uma cúmplice temida, com a consciência aplacada pela ilusão do teu amor. Sem saber, era a inimiga atraída pelo fel.

O sabor amargo da paixão não desejada distorce nosso ser, invade a mente, preenche lacunas e causa desordem. Desta vez, sem medo, me deixo levar pela mão de meu carrasco, até o ponto onde não mais existe retorno.

Algoz ou Vítima? Qual a diferença se dominar é o único objetivo? Se o cruel do teu sorriso contrasta com a dor que trás nos olhos e o odor do teu poder é a fragilidade de tua alma. Meu sangue sempre terá o cheiro acre do teu medo.

Tua covardia e meu orgulho nos conduzem ao fim. Inevitável! Ah Beau, a quem poupa realmente? Deverá então este sofisma afastar nossos caminhos? Ou será esta a única maneira de nos reconhecermos?

Memórias de Todas as Vidas
(Dez/12’2004)
............................................................... Livia Ulian

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

13º Paradoxo!

...A certeza de ser a última, de que todos iriam antes de mim, era a única que restava, e por mais que me esforçasse em me livrar deste pensamento não conseguia. Era claro, era a verdade. O inesperado de tudo foi o desenlace, se é que posso dizer que terminou.

As nossas defesas por fim caíram. Não bastava somente vencer ou dominar, submeter era o conceito de vitória. Assim meu martírio teve um novo início, a submissão e a negação passaram a fazer parte daquilo a que chamava de sobreviver. Acreditando que minha força pudesse dobrar meu algoz, isso se tornou nosso eterno duelo.

Não sei em que momento teve início, na minha mente ou na dele, mas era vital ver o outro sobrepujado e ambos usamos todos os meios para alcançar este fim. Meus amigos caíram um a um diante de meus olhos, como punição por meu orgulho, ou talvez em nossa doença, isso pudesse ser considerado uma recompensa.

Minha certeza se fez realidade e quando percebi, éramos semelhantes, tão parecidos em essência que a sensação era de estar diante de um espelho. Enxerguei minhas qualidades e defeitos, refletidas no homem a minha frente. Sim, agora ele não era mais somente meu carrasco, frio e distante, era a única ligação com a realidade que eu possuía e através dele me mantinha viva.

O duelo prosseguia sem existir um patente vencedor, ou pior, nos dois vencemos, sem nunca termos tomado consciência disto.

Do tempo não fazia mais conta, somente esperava o momento de sua chegada, ou que um destino mais cruel me levasse dali. Na 13º Lua, por descuido, me vi livre. Fugi levando comigo cicatrizes que nunca desaparecerão por completo.
Nas noites negras, as luzes da cidade me fazem lembrar e tentar esquecer...

Memórias de Todas as Vidas
Dez/07’ 2004
...............................................................Livia Ulian

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Essência!


...Éramos nós os últimos sobreviventes, com a missão de defender os ideais, os ritos, daquele mundo no qual acreditávamos. Poucos, fiéis e obstinados, fortes e frágeis pela lealdade que nos acorrentava aos antigos laços de amizade.
Após tanto tempo, não sabíamos mais o que proteger, se nossos ideais ou uns aos outros. Os questionamentos surgiam nos olhos de todos e cada um. Improferíveis! Eu mesma nunca teria coragem de perguntar, em voz alta, o porquê de estarmos ali. O motivo havia sido perdido há muito, talvez no momento em que não mais conseguimos limpar as mãos do sangue de outrem. Foi a primeira vez que me perguntei silenciosamente, mas minha cabeça não conseguia achar uma resposta e o corpo continuou agindo.
Essa pergunta surge de tempos em tempos e continua sem resposta e na verdade não sei se quero encontrá-la.
Tudo está perdido e a maioria se foi, de uma maneira ou de outra. Aqueles que restam não são mais os mesmos e por vezes tenho a certeza que o sangue das mãos se misturou a alma perdida. A piedade nos abandonou assim como assim como o mundo nos esqueceu!
Não quero morrer aqui, quero voltar pra casa. Faz tanto tempo! Como?Alguns tentaram e seus corpos poluíram a água do rio. Hoje a morte não parece tão ruim, talvez seja a única saída dessa prisão sem muros.
Perdemos a inocência e a essência do que é ser humano. Não rezo mais para o meu deus e nem tenho esperança. A mim só resta ir até o fim e ver cada um daqueles que um dia chamei de amigos perder a vida, porque a alma há muito se foi...

Memórias de Todas as Vidas
Out/24’ 2004
...........................................................Livia Ulian

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Covardia e Medo!

As pessoas tratam essas duas características como a mesma, mas na realidade não são! Primeiro olhei no dicionário e achei vários sinônimos conforme abaixo:
Pusilânime(do latim-de alma pequenina)
Medroso(do latim–que tem medo)
Tímido(do latim–que tem timidez)
Traiçoeiro(relativo a traição, pérfido, desleal)
Poltrão(do latim, não tem coragem)

Foto acima: a lua Phobos

Deixemos o poltrão de lado, a palavra caiu em completo desuso, nem Lamarck pode ressuscitá-la! Já, medroso e tímido não podem ser entendidos como sinônimos de covarde, pelo menos não no “bom sentido”. É isso, existem pessoas covardes no bom sentido e no mau sentido.

Vamos lá, eu tenho horror, medo, pavor, pânico, ou seja, aversão a baratas, mas nenhuma timidez, pois quando uma aparece eu não me importo de pedir auxílio a um desconhecido ambulante ou a qualquer conhecido assente. No caso da timidez, pior ainda, posso até ser temida, mas nunca tímida. Sou medrosa, ou covarde no “bom sentido”, claro?

A palavra pusilânime me surpreendeu, a ausência de pessoas nessas condições em minha vida, causou uma falha grave na minha psico-educação, pelo menos até uns dois anos atrás, quando descobri exatamente o que significa. Mas fico contente, eu tenho a sorte de ter somente um exemplo de como pode ser uma alma pequenina. Entendi também que essas almas são traiçoeiras, extremamente egoístas, são o retrato fiel da covardia! Nunca assumem responsabilidades, e deixam que os outros o façam, simplesmente ficando a parte dos acontecimentos, só aparecendo se houver louros. Um outro exemplo é aquela pessoa que te deve desculpas e nunca o faz – se perguntado sobre o motivo da esquiva, ele vai responder: Você não iria desculpar mesmo, então pra que falar! Com essa atitude covarde ele transfere sua responsabilidade para você. Com belas palavras, atitudes educadas, falso moralismo e fingindo serem pacificadores, esses seres passam pelo mundo e até se reproduzem. Covardia da brava mesmo!

Cheguei a polida conclusão que covardia é produto da deslealdade, da traição e nem de perto isso se parece com medo ou timidez.

Do Dicionário Pessoal de ........................................... Livia Ulian

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

$2 Cents por um Coelho!

Desde criança sou vidrada em desenhos animados, cartoon se preferir chamar assim. Meu dia sempre teve 48 horas, pois eu ia a escola, brincava na rua, andava de bicicleta, assistia TV, ia ao clube, jogava vôlei, fazia natação e ballet, frequentava aulas de piano e conseguia entregar minha tarefa em dia, sem contar as excelentes notas. Não tenho a menor ideia de como conseguia!

Quem de nós não pára na frente da TV quando dá de cara com o Pernalonga e suas ideias super originais, como devolver Manhattan pros índios?! E todas as vezes que vejo aquela máquina de chicletes de bolinha, fico pensando em adicionar água e ver surgir dois mil marcianos instantâneos. E alguém aí tem um buraco portátil para me vender!? Sempre adorei O Hortelino troca-letra, o Eufrasino Puxa-Briga, o invejoso do Patolino, os Irmãos Metralha, odiava o chatinho do Mickey, e ria do Donald nervosinho... Quer saber Amo Tudo isso!

Outro dia estava lendo um texto sobre a psicologia dos desenhos animados e suas mensagens intrínsecas. Gente, tô cansada dessas análises. Que violência que nada! É só desenho e assim deve ser tratado. Quem coloca minhoca na cabeça de criança é adulto, pois elas nunca irão imaginar nada além de desenhos. Que mal exemplo coisa nenhuma! Alguém realmente acha que não existem pessoas como o Pateta, ou ainda que as pessoas podem ter gagueira, podem até não tomar banho (todos meus amigos que lerem isso, pensarão na mesma pessoa...rsrsrsrsrs). Pessoas mentem, exageram, são otimistas ou pessimistas (Hardy existe!). O Eufrasino é baixinho, e sempre arruma encrenca, mesmo quando não quer! A Luluzinha é muito mais esperta que o Bolinha.

Aí vem uma santa alma e diz: o Pica-Pau é maldoso, o Pernalonga é vingativo, que o Pato Donald é egoísta, o Frajola é guloso, o Coyote é um coitado... Tudo bem, pois o Papa-léguas não conhece a lei da gravidade! Vamos crescer um pouco... agora o violento é o Wolverine, mas também é super-protetor, a Docinho é vingativa, o dinossauro Barney é um chato, o Batman é o cavaleiro das trevas e não mais justiceiro, o Robin sumiu pelo bem estar sexual da humanidade, o Super-Homem morreu e o Homem-Aranha continua morando com a tia... Será que alguém em sã consciência pode acreditar que a formação do caráter veio DEPOIS do desenho animado? Que HB ou WD são agentes do diabo! Ah, tenha a santa paciência, o Diabo Veste Prada!

Eu, durante toda minha existência, NUNCA vi nenhum cara mascarado, vestido de meia-calça colorida, com as cuecas enfiadas por cima, com ou sem capa, vagando pela noite, pulando pelos prédios ou soltando teia pelos pulsos!

O que mudou foi a vontade de estereotipar nossos companheiros de infância, querer encaixar cada um deles em tipos psicológicos pré-conceituosos. Quando eu era criança, existiam os personagens que eu gostava e os que eu não gostava e SÓ.

Tá vendo eu sou infantil... eu continuo assistindo um monte de tranqueiras na TV e continuo sem saber como, pois não paro em casa!

.....................................................Livia Ulian

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Reformas na Sala de Guerra!


Nunca será um relacionamento fácil. Temos que disputar cada assunto, afinal o Deus da Guerra não entrega nada sem uma boa luta. Mas quem ouviu falar de uma sacerdotisa no templo de Ares?! Devo ser a única. Guerra é coisa de homem! Mas se eu fosse uma donzela em perigo, Ele nem teria me notado.

Morar no Salão da Guerra não é diferente do que sempre imaginei. Fui praticamente sequestrada, sem escolha alguma, não que eu não quisesse, pois é evidente que adorei! E para o meu bem, é melhor continuar resistindo, não muito, só o suficiente!

Gostaria de saber quanto tempo Ele vai ficar em Tróia e se realmente ainda está por lá. Que não reclame quando voltar e descobrir que as coisas aqui estão um pouco diferentes. Quer saber, vou colorir um pouco o ambiente, nada de flores, nada que tire a masculinidade. A primeira coisa a fazer é superar a pequena dificuldade de entrar e sair por esta escarpa. Muito fácil para um deus, mas completamente indigno para um mortal

Olhando em volta, o que eu poderia mudar? Uns bordados dourados na barra dos tecidos negros que recobrem as paredes de pedra, é ia ficar bem bonito. E estas poltronas de madeira e couro, desconfortáveis o suficiente para que as visitas durem o tempo necessário, melhor manter assim, talvez só a cor. Uns brocados sumerianos para almofadas e tecidos leves para dividir um pouco o ambiente. Ah, e o tapete, vi alguns perfeitos no país de Ciro. Acho que posso pensar também em algumas peles de animais, podem ser bem úteis durante o período frio. E livros, a vantagem do sacerdócio é aprender a ler, afinal passar dias e dias aqui sozinha sem nada para fazer, posso acabar tomando o lugar das Fúrias.

A cama está bem assim!

Memórias de Todas as Vidas
Dez/10'2008
........................................................Livia Ulian